A ampliação do programa Minha Casa, Minha Vida apresentado recentemente pelo governo federal foi feita para impulsionar o mercado da construção civil e a compra da casa própria. A mudança limita a cobrança de juros bancários no financiamento imobiliário, atualmente em 9,16% ao ano. Com isso, todos aqueles que possuem a renda familiar até R$ 9 mil podem acessar as condições do programa, que vem ajudando milhares de famílias desde sua criação, em 2009. Mas na prática como essa mudança pode afetar positivamente o mercado imobiliário de Porto Alegre?

Para essa resposta precisamos analisar inicialmente a ampliação da faixa 3 do programa que atenderá consumidores de R$ 7 a R$ 9 mil de renda familiar. Essa é a faixa mais concorrida por imobiliárias e construtoras. Por possuírem a maior renda abrangida pelo programa, esse grupo não compromete tanto o seu orçamento para cumprir com o financiamento imobiliário. Esse incremento na faixa de renda pode representar um mercado adicional superior a 45 mil famílias em Porto Alegre, segundo dados IBGE.

Essa ampliação possibilita um novo fluxo de consumidores que entram no mercado imobiliário, com credenciais do Minha Casa, Minha Vida, em um momento bastante importante na retomado dos negócios nesse início de ano.  As empresas poderão contar com novos clientes para apresentar seus projetos e reduzir seus estoques de unidades do programa. E, mais adiante, avançando no desenvolvimento e lançamento de novos empreendimentos para esse segmento. Com isso, o programa habitacional cumpre seu papel de ser um catalisador na base do mercado imobiliário, ao gerar empregos na construção civil e de reduzir o déficit habitacional do País.

Capital gaúcha ainda tem espaço para avançar na oferta de imóveis até R$ 215 mil. 

Boa parte desses consumidores ainda não havia conseguido realizar o sonho da casa própria e isso pode se tornar realidade graças às taxas de juros mais atrativas oferecidas pela Caixa Econômica Federal. Com a ampliação, o valor limite para a compra do imóvel pode chegar até R$ 215 mil em Porto Alegre. Atualmente, a cidade possui uma grande oferta de imóveis prontos e na planta que fazem parte do programa.  Na maioria dos casos, apartamentos em grandes condomínios residenciais com infraestrutura, salões de festas, áreas de lazer e segurança.

Também vale lembrar que existe ainda a possibilidade do consumidor adquirir um terreno e contratar a construção da casa desde que o montante (terreno + casa) não ultrapasse o teto de R$ 215 mil para o programa. O mercado da capital gaúcha ainda é carente deste tipo de oferta de loteamentos, cujo valor do terreno possa atender essa modalidade – isso passa pela concepção e avanço em novas fronteiras imobiliárias da cidade.  A Zona Sul, por exemplo, é uma destas fronteiras para esse segmento de produto pouco explorado e com grande potencial de demanda.

Se por um lado temos uma demanda de consumidores que ainda não acessou seu primeiro imóvel, de outro existe um programa federal que auxilia por meio de taxas e prazos atrativos. Já em outra ponta contamos com desenvolvedores com projetos e empreendimentos lançados neste perfil. Agora, cabe ao poder público de Porto Alegre proporcionar meios e agilizar as aprovações e liberações para o mais rápido desenvolvimento dessas novas fronteiras.

*Marcelo Bettio é economista e diretor da Alphaplan Inteligência em Pesquisas