O mercado imobiliário de Porto Alegre em 2016 foi marcado pela recuperação de expectativas sobre o futuro do setor, mas ainda tímido quanto a resultados e desempenho de vendas.

Nas medições do Índice de Expectativa do Mercado Imobiliário de Porto Alegre (IEMI), criado pela Alphaplan Inteligência em pesquisas, houve um crescimento expressivo da expectativa de janeiro a dezembro de 2016 entre os participantes do mercado, inclusive consumidores. O registro de um aumento de 36,5% na expectativa durante o ano de 2016. A percepção sobre o futuro do mercado de médio prazo, ou seja, sobre 2017, também é positiva em 12 meses, 34,5%.

Ao mesmo tempo em que o índice futuro apresenta melhora significativa, a avaliação do mercado atual não é tão positiva. O índice de mercado atual atingiu 79 pontos na média de 2016 (índice varia de zero a 200 pontos), o menor entre os citados. Uma visão esperada sobre um momento ainda de incertezas políticas e juros altos. Analisando a pesquisa mensal sobre o mercado imobiliário da capital gaúcha, feita pelo Sinduscon-RS, percebe-se que o estoque de 3.700 imóveis (dado de out/16) é um nível saudável em um mercado que lançou pouco mais de duas mil unidades estes ano e que vendeu 3 mil até outubro.

O mercado de Porto Alegre continua com um estoque que seria consumido em torno de 12 meses, isso é um indicador positivo. Quando tínhamos níveis de lançamento em torno de cinco mil imóveis/ano (2008, 2009 e 2012), a venda chegava entre quatro mil e cinco mil unidades/ano. Até outubro de 2016, segundo Sinduscon-RS, o mercado registrou 3.346 unidades vendidas, logo estamos com uma relação vendas sobre estoque de um mercado saudável, o que resulta em preços estáveis.

Voltando às expectativas registradas pela Alphaplan no IEMI, um dos itens que foi marcante do ponto de vista negativo no ano de 2016 foi a percepção sobre acesso ao crédito para o consumidor na compra do imóvel. Na realidade, os bancos fecharam as comportas antes do final de 2015 e este movimento ainda permanece. Mesmo com alguns incentivos, como aumento do prazo dos financiamentos, não há fundamentos básicos para a retomada do crédito. A taxa de juros atual, nível de 13% ao ano, é punitiva à tomada de crédito na ótica do consumidor. Isso sem contar a dúvida na estabilidade da economia e, portanto, de suas finanças próprias. Isso também gera pouco estímulo para os investimentos privado e produtivo, uma vez que a rentabilidade financeira está pagando alto e com risco bem menor. A taxa de juros é uma das principais razões para que nossa economia ainda não tenha desenvolvido uma reação mais rápida à crise.

Em 2017, pode-se esperar queda da taxa de juros, independente da política econômica que será adotada, uma vez que importa esse movimento tanto nas finanças públicas – já muito debilitadas, quanto na retomada do crescimento, através do estímulo à produção e consumo.

Para o mercado imobiliário de Porto Alegre, segundo o IEMI, pode-se aguardar um ano de maiores níveis de lançamentos e novos patamares de preços (maiores). A indústria da construção civil ainda está em um movimento macro de crescimento. Ainda há muito espaço físico a ser ocupado e desenvolvido, conforme as condições econômicas assim possibilitem.