A crise geral de confiança no governo e na política econômica afetou fortemente a trajetória dos juros. Como em todo governo populista, nos últimos anos, a meta da política econômica foi a redução do desemprego em detrimento ao controle da inflação. Invariavelmente, esta escolha leva à instabilidade econômica – adicione a isso uma economia altamente aquecida, com crédito abundante e famílias endividadas a longo prazo, o resultado era inevitável: juros altos e desemprego. Juros altos numa tentativa desesperada de fazer o trabalho que nunca deveria ter sido descontinuado (o de cuidar da estabilidade a todo custo) e, em paralelo, o desemprego aparece novamente como reação das empresas que estão experimentando matrizes de custos maiores e demanda restrita.

Com uma taxa de juros maior, não há estímulo produtivo e nem os bancos querem emprestar recursos, uma vez que suas aplicações rendem mais e o risco de inadimplência cresce como nunca.

Em pesquisas e sondagens feitas Alphaplan inteligência em pesquisas, tanto empresários quanto consumidores ainda querem fazer negócios, obviamente em um volume menor. Mas, o que realmente tem emperrado essa relação é o acesso ao crédito. Com as comportas fechadas, os bancos ajudam a piorar a situação daqueles que ainda querem atuar em seus mercados.

Não seria diferente no mercado imobiliário. Com rescisões crescentes e juros artificialmente atrativos dos títulos públicos, as linhas de crédito se protegem aumentando taxas, reduzindo comprometimento de renda e o volume de empréstimos vis-à-vis suas garantias reais. Esse mecanismo de defesa tem sido o principal causador da paralisia momentânea do mercado imobiliário no Brasil.

Em mercados como o de São Paulo, por exemplo, onde há um estoque altíssimo de imóveis prontos e desocupados, essa dinâmica afeta de forma mais negativa o mercado imobiliário, ao ponto de reduzir preços dos imóveis. Por outro lado, Porto Alegre com um estoque ainda saudável não experimenta queda de preços, mas já não consegue reajustar tabelas de venda como em outros momentos.

A grande salvação para os empreendimentos imobiliários sempre foi a diferenciação de produtos e conceitos inovadores. Isso continua sendo verdade, tanto é que alguns empreendimentos simplesmente passam incólumes ao momento atual e suas perspectivas negativas. Mas, através desta conformação econômica de altos juros e insegurança, surge a oportunidade das empresas incorporadoras atuarem mais fortemente na proposta financeira de cada empreendimento. Ou seja, além de projetos inovadores, o empresário de hoje deve oferecer a seus clientes uma forma financeira de adquirir seu bem imóvel. Seja na visão da aquisição de moradia final, seja na aquisição de investimento imobiliário. Propor condição financeira atrativa ao investimento imobiliário passou a ser uma diferenciação importante neste mercado. Empreendimentos oferecem receitas condominiais, ou que proporcionam segurança em recebimentos garantidos, por exemplo, na qual o cliente tem uma espécie de hedge de seus recebimentos mínimos futuros sobre o bem adquirido.

A ideia de propor essencialmente um produto muito mais financeiro do que arquitetônico ou de nicho tem sido uma receita de empresas com resultados acima da média de mercado. Fato é que o consumidor de hoje busca empregar bem seu dinheiro, sua aversão ao risco está maior e, portanto, busca investimento que garanta retornos menores que em outros tempos, mas retornos seguros. Esse novo posicionamento de mercado, que busca primeiro ofertar a rentabilidade operacional do bem imóvel do que simplesmente sua valorização de mercado, é uma adaptação altamente recomendada neste momento econômico.